quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ENTREVISTA COM MIKEY WAY

O site O Globo entrevistou o baixista do My Chemical Romance, Mikey Way. Na entrevista ele fala sobre os shows no Brasil, e que pretendem tocar a nova música, Stay. Confira.

O GLOBO: É a primeira vez de vocês no Brasil. Os ingressos estão quase esgotados. Por que demoraram tanto?

MIKEY WAY: Estamos tão empolgados com os shows no Brasil quanto o público. Quando lançamos um disco, viajamos o mundo todo. São de 15 a 20 países por turnê e, mesmo assim, temos que esperar para ir a alguns lugares. Mas, quando marcamos um show num país novo, é como se fosse Natal. Nunca sabemos como vai ser. Sei muito pouco sobre o Brasil. Vai ser uma grande surpresa.

O GLOBO: A turnê do "Black Parade" já vai fazer um ano. Como tem sido? E quais os planos para depois que acabar?

MIKEY WAY: Tem sido muito bom. Acabamos de voltar da Ásia. Acho que temos mais uns três meses de shows. Depois, vamos dar um tempo.

O GLOBO: Quando começam os trabalhos para o próximo disco?

MIKEY WAY: Não sabemos quando vamos gravar. Já temos algumas músicas escritas. Tocamos duas recentemente. Ainda não têm nomes, mas os fãs batizaram uma delas de "Stay". A aceitação foi ótima. E é claro que vamos tocar ambas nos shows no Brasil.

O GLOBO: O "Black Parade" tem um clima bem dark. Como acha que vai ser o novo álbum?

MIKEY WAY: Estamos ainda mais maduros do que quando gravamos "Black Parade". Isso vai ficar óbvio no novo CD. Vai ser bem rock. E quanto às letras... Bem, as duas que já tocamos têm conteúdo bem mais positivo.

O GLOBO: O último álbum fala muito sobre morte. Mas a banda toda é jovem. Por que falar sobre esse assunto?

MIKEY WAY: A morte é a coisa mais assustadora. A grande incógnita. Não estamos longe disso, exatamente porque você nunca sabe quando ela vai chegar. Tive amigos levados antes do tempo. Tenho medo. Muitas músicas nossas giram em torno do tema.

O GLOBO: E por que o público se identifica tanto com vocês?

MIKEY WAY: Temos muita coisa em comum. Passamos por tudo o que eles estão passando. Eles enxergam isso nas músicas. É duro ser jovem. É a idade mais perigosa de uma pessoa. E nunca foi tão perigoso quanto hoje em dia.

O GLOBO: Por que você diz isso?

MIKEY WAY: São muitos problemas. A todo momento surge uma nova droga, fácil de se conseguir. A violência nas escolas é algo insano. Há gangues presentes nas escolas. É tão fácil para um adolescente botar as mãos numa arma. Elas estão à venda em lojas. As condições e as pessoas estão cada vez mais agressivas. É assim nos EUA, e sei que se repete no mundo.

O GLOBO: Você já teve experiências com drogas?

MIKEY WAY: Sim. Eu e Gerard éramos drogados. Eu estava sempre bebendo ou ingerindo pílulas antidepressivas. Também usava muita cocaína. Entrei nessa no início da banda e passei a usar mais quando começamos a crescer, porque estava sob muita pressão. Parecia que ia implodir. E é muito fácil conseguir drogas quando se está numa banda. As pessoas te oferecem o tempo todo. É muita tentação.

O GLOBO: Mas você hoje não usa mais droga?

MIKEY WAY: Estamos totalmente sóbrios. Olhando para trás, não fico feliz, porque foram anos difíceis. Mas agora vejo como foi bom abandonar aquilo tudo.

O GLOBO: Você falou sobre violência. Já sofreu por causa disso?

MIKEY WAY: Em Nova Jersey, onde crescemos, há lugares bastante violentos. Sempre tive medo de armas, mas alguns amigos meus faziam parte de gangues, e sei de uns dois que foram mortos por isso.

O GLOBO: E como tudo influenciou na música de vocês? Elas falam sobre violência e drogas diretamente?

MIKEY WAY: Nossas músicas são catárticas. Falamos de temas grandiosos, como dor, tristeza e rebelião. Fomos influenciados por bandas como The Cure e The Smiths. O som do Cure é extremamente dark. Já as canções de Morrissey (ex-vocalista dos Smiths) têm melodias alegres com letras cheias de angústia. Fomos inspirados por isso, e o mesmo acontece com nossos fãs. É para isso que a gente faz música.

O GLOBO: Escrever sobre essas coisas o afeta? Na gravação de "Death Parade"*você teve uma crise, deixou os estúdios e abandonou a banda por um tempo...

MIKEY WAY: Eu tinha acabado de fazer 25 anos. Foi a crise do primeiro quarto de vida. Acho que todo mundo passa por isso quando chega nessa idade. É quando você percebe que tem de se ajustar à vida adulta. As responsabilidades te pegam. Mas estou 200% agora, confortável comigo mesmo. Eu me casei ano passado, o que é uma grande mudança. Faz você ver a vida sob outra perspectiva.

O GLOBO: Muitos críticos colam na banda o rótulo de emo. Mas o Gerard já demonstrou diversas vezes ser contra isso. O que você acha?

MIKEY WAY: Sou contra rótulos. E acho que essa história de emo já ficou para trás. Somos uma banda de rock. Gerard pensou em formar a banda depois dos atentados em Washington e Nova York de 11 de setembro.

O GLOBO: Por que vocês não escrevem canções políticas?

MIKEY WAY: Não somos uma banda política. Nunca fomos. Pessoalmente, estou totalmente a favor de Barack Obama (senador que disputa com a senadora Hillary Clinton a chance de ser o candidato democrata nas eleições presidenciais americanas, este ano). Mas, como banda, preferimos ficar fora da política. Também não vou fazer campanha individualmente.

* Eles falaram Death Parade, mais o coreto seria (The) Black Parade

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